Um review irritado da instax e mini guia das digicams
- 22 de jul.
- 8 min de leitura
Atualizado: há 1 dia

Um texto sobre minhas irritações com a Instax Mini Evo e no final um guia de como comprar sua própria Digicam . ˚◞♡ ⃗ *ೃ༄
Eu já falei aqui no Groselhas sobre minha paixão por camerazinhas digitais no post “Tecnologia Criativa e uma Fotografia nem tão vintage assim”. Ele já tem alguns anos e desde então minha coleção aumentou consideravelmente.

Por mais que eu tenha um número de câmeras ligeiramente desnecessário, eu juro que não é somente acúmulo, eu realmente uso todas elas. Acho incrível poder enxergar o mundo por lentes de diferentes épocas, além adorar acompanhar a evolução tecnológica das câmeras digitais nos últimos 30 anos, já que tenho modelos tão antigos quanto a lendária Sony Mavica, até as super compactas e modernas handcams usadas nos primeiros vlogs do youtube.

Nessa minha coleção não costumam entrar muitos aparelhos recentes, os anos 2000 tem tanta tecnologia interessante que é difícil se equiparar. Porém, nos idos de 2020 um lançamento me chamou a atenção. A Instax, marca conhecida por vender câmeras instantâneas (aquelas que imprimiam fotos na hora e que se tornaram icônicas pela finada Polaroid) lançou a Instax Mini Evo.
A proposta era fantástica, uma câmera com cara de analógica e impressão instantânea, mas que tinha uma tela e salvava fotos digitalmente. Isso significava que seria possível escolher qual foto imprimir (a parte mais chata da Polaroid tradicional) e ainda personalizar seus registros com filtros diferentosos.

Não preciso dizer que desde que soube eu fiquei doida pra ter uma, mas é óbvio que para os nossos pobres bolsos brasileiros ela custava uma pequena fortuna. Eis que seis longos anos depois começam a aparecer as primeiras Mini Evo usadas e eu finalmente me rendi ao consumismo e aumentei consideravelmente a fatura já alta do meu cartão de crédito.

Agora era alegria, emoção, fotos incríveis, sonho realizado, certo? Bom não exatamente. Acontece que eu me decepcionei imensamente. Tanto que precisei vir chorar minhas pitangas, ou groselhas por aqui. Aproveitei também o ódio a frustração pra fazer um guia prático de digicams pra que vocês não caiam em furadas semelhantes.
Uma ótima ideia...se não vivessemos no capitalismo tardio Essa parte vai ser só reclamação, então se quiser, pule direto para o próximo tópico
Sinceramente a Instax Mini Evo é linda. Mesmo para quem não é fissurado em eletrônicos estranhos como eu, ela chama atenção com sua mistura de digital com visual analógico. Ela sem dúvida foi pensada não apenas para tirar fotos, mas para aparecer nelas. Preparadíssima pra composições aesthetic e selfies organizadas em um feed perfeito.

O estilo dela é inegável, mas então chegamos nas fotos em si, e bom…a qualidade dela é péssima, Não to falando aquele péssimo estiloso da câmera analógica roubada da gaveta da sua mãe, ruim mesmo.
Talvez alguém que não tenha tido contado com outras câmeras não ache a Mini Evo tão ruim, afinal ela é teoricamente só um brinquedo muito, muito caro. Porém, como disse ali em cima, eu coleciono câmeras, então minhas expectativas eram…talvez altas demais?
Testes com a Instax Mini Evo | 2020 (R$1500 usada)
Testes com a Panasonic D-Snap | 2005 (R$200 usada)
Mesmo levando em conta a proposta, é um pouco esquisito um aparelho que foi lançado por US$ 199,95 não se equiparar a qualidade de uma câmera lançada em 2005. Não existe aesthetic, filtro ou efeito que justifique algo nesse valor ter uma qualidade fotográfica tão péssima.
Além disso, esquecendo a qualidade da imagem (que deveria ser o principal em uma câmera, mas enfim, vamos relevar) toda a experiência de navegar pelo aparelho é frustrante. Pra explicar essa parte lembram que a Instax é uma empresa de câmeras instantâneas? Isso significa que o foco dela é na venda de filmes superfaturados e não em equipamentos. Então como uma empresa que lucra na venda de filmes vai expandir seus ganhos lançando uma câmera digital?
A resposta é travando o sistema pra que o usuário sinta a necessidade de comprar filmes. A seguir alguns exemplos que me tiraram completamente do sério, desde os problemas mais chatos até coisas que são apenas birra minha:
1- O pior aplicativo de todos os tempos
A câmera possui um aplicativo de integração com celulares, mas ele funciona do jeito mais idiota possível.
Através do app você consegue imprimir imagens do seu smartphone (sem adicionar o carimbo de data ou outros efeitos disponíveis na câmera, porque já seria demais). Mas simplesmente não consegue ter acesso a todas as fotos que estão na sua Instax, sendo possível transferir sem fio somente aquelas que já foram impressas.

2- O USB C inútil
Então como funciona a transferência das fotos afinal? Você pode colocar um micro sd na câmera (vendido separadamente), tirar as fotos, abrir a entrada, retirar o micro sd, colocar no seu computador e copiar as fotos, tal qual os antigos astecas faziam.
A Mini Evo sendo uma câmera ultramoderna conta com uma entrada USB C, então daria pra transferir essas fotos via cabo certo? Não, diferente de qualquer aparelho vendido nos últimos 20 anos ela não permite conexão direta com um computador, a entrada é apenas para carregamento.
Mas digamos que, hipoteticamente, você tenha tirado fotos sem um cartão de memória como fazer para transferir essas imagens? Você vai precisar conseguir um micro sd (vejam que ele é bastante indispensável aqui) inserir ele na câmera, mover manualmente uma a uma suas fotos, retirar o cartão e seguir com o procedimento descrito anteriormente.
Faça isso pelo menos até a entrada de cartão parar de funcionar, como vários usuários já reclamaram online. Nesse caso imagino que a única maneira de conseguir suas imagens seja imprimindo nos filmes proprietários da instax😀
4- Zoom praticamente inexistente
Lembram que eu falei que a qualidade da câmera parece uma piada de mal gosto? Então imagine essa qualidade horrível quando se tenta dar zoom. É óbvio que ela não tem lentes retráteis e nem foi pensada pra longo alcance, mas o mínimo de zoom já faz com que suas fotos fiquem parecendo uma pixel art.
Ah e ela também não filma. Um aparelho de US$200 que não faz aquilo que seu nokia 2006 fazia (mas tem a mesma qualidade).

3- Arquivos CSV
Depois que você colocou seu cartão na câmera, tirou suas fotos, retirou seu cartão e colocou no computador, finalmente a hora de ver suas incríveis imagens.
Eis que você se depara com uma parede de arquivos CSV, também conhecido como arquivos de Excel, com as informações das suas imagens. Cada foto tirada gera um arquivo com a data e filtro usados naquela imagem, O que seria interessante, caso isso normalmente não viesse embutido nos metadados de qualquer foto.
Ok, talvez esse seja apenas chatisse, mas eu nunca vi nenhuma câmera com um sistema semelhante e me parece um jeito no mínimo burro de transmitir essas informações,

5- A interface é FEIA
Esse admito que é 100% birra minha.
Pensando que ela foi feita pra ser algo divertido e vintage eu esperava uma UI pelo menos interessante, que tivesse texturas e efeitos legais. E não, as poucas configurações são basicamente Arial 12 em um fundo preto, parece que foi diagramado em ABNT.

6- Eu já disse que ela oferece isso por DUZENTOS DÓLARES, ou MIL E OITOCENTOS REAIS? Pra ter a qualidade e a funcionalidade de um brinquedo poderia ao menos custar o preço de um.
Esse foi um resumo das minhas maiores irritações com a Mini Evo. Na época de lançamento eu vi alguns reviews falando dessa câmera e não entendendo a proposta ou achando algo desnecessário. Já adianto que eu não sou desse time, eu amei a ideia e queria demais que funcionasse.
Na verdade eu tenho uma categoria inteira no meu blog chamada Retrofuturismos dedicada justamente a essa mistura tecnológica do passado com o presente. Eu realmente adoro equipamentos que consigam recuperar o design fantástico de antigamente e misturar com a tecnologia moderna, como é o caso dos produtos da Divoom por exemplo. Isso porque eu não acredito que as coisas se tornem obsoletas e devam ser enterradas, mas acho que a tecnologia pode se transformar e evoluir, ganhando novos usos e significados.
Então meu descontentamento com a Instax é justamente com o potencial que a Mini Evo teria, em como ela poderia representar essa mistura e porque não abrir espaço para outros projetos semelhantes, mas ao invés disso ela é só um fruto deprimente do capitalismo tardio.
A instax não é um caso isolado
Depois de reclamar muito (e se bobear eu reclamo mais) é óbvio que a instax infelizmente não é a única empresa que piora consideravelmente os seus produtos pra obrigar o consumidor a gastar mais, isso é uma tendência de mercado.
As impressoras talvez sejam as campeãs nessa área. Desde sua invenção todo o negócio envolve vender equipamentos baratos de qualidade duvidosa e lucrar bilhões com cartuchos cuja grama da tinta vale mais que ouro. Depois de anos se criou as tanque de tinta e pensamos que finalmente imprimir seria mais acessível, então as empresas criaram a ASSINATURA DE IMPRESSORA. Sim, na gringa a maioria dos modelos vem com um serviço de assinatura que se não for pago bloqueia o seu aparelho, que você (teoricamente) comprou.
Além disse existem centenas de relatos de TVs, projetores e vídeo games mais recentes que veem com propaganda embutida ou serviços de nuvem por assinatura. quiserem ler mais sobre isso sugiro visitar o Consumer Rights Wiki, uma wiki colaborativa de produtos com propostas desonestas que sofreram ou não processos por suas políticas.

E voltamos aos anos 2000
É nesse cenário deprimente de produtos modernos cheio de pegadinhas que muitos de nós escolheram voltar para eletrônicos tidos como ultrapassados.
Equipamentos lançados há 10 ou 20 anos que continuam funcionando e que não precisam necessariamente se conectar a internet nem de uma assinatura para executar suas tarefas básicas. É claro que essa prática tem sim sua parte de nostalgia, mas ela também é a tentativa de buscar a promessa que nos fizeram de um futuro tecnológico onde seriamos donos de nossas coisas e elas teriam identidade e tornariam nossa vida melhor, e por que não, mais divertida.

Escrever esse post foi basicamente um expurgo das minhas chateações mais recentes, mas como o ódio é o maior impulso que podemos ter queria aproveitar o ensejo para incentivar o leitor a dar uma chance ao mundo mágico dos eletrônicos obsoletos.
Eles provavelmente vão ter mini defeitos e exigir algumas horas de busca online para encontrar peças ou resolver problemas cuja resposta se encontra em um fórum obscuro de 2008, mas é um hobbie bem divertido que de brinde te afasta do limbo do feed infinito das redes sociais.
O Miniguia de compra de Digicams
Quer começar no mundo das câmeras digitais e não sabe como?
Resolvi usar os meus anos de garimpo pra montar um mini guia gratuito com dicas para quem quiser comprar sua primeira câmera digital, ou mesmo outros equipamentos que já foram descontinuados. Um compilado das coisinhas que aprendi por ai indo atrás de câmeras ultrapassadas e outros cacarecos tecnológicos.







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